Frustrações e falta de comunicação de relacionamentos a parte... eu odeio celular!!!
O aparelho celular cria a ilusão do imediatismos, cria a ideia da comunicação a longa distância instantânea... agora já!!! E quando não se realiza, quando o celular não é atendido, quando a internet não funciona, quando não temos sinal, NOS FRUSTRAMOS... passamos mal, ficamos de mal com o mundo.
A cultura do celular é a do monitoramento. ODEIO ISSO: onde está... quantos minutos pra chegar... porque não atendei... porque se atrasou... porque não ligou... a existência do aparelho celular cria a ILUSÃO do sempre encontrado, sempre acessível, sempre a disposição... não tem mais o espaço do dentro e fora ar, do meu tempo comigo e meu tempo com os outros... do público e o privado.
O tempo do NÃO ESTOU... não existe mais!!! EU SEMPRE ESTOU, estou desligado, estou fora de área, estou impossibilitado de receber chamada. Porém, eu estou lá não querendo estar. O celular enquanto aparelho pessoal cria a minha permanente estada. Não existe a opção de não estar. Ele projeta a minha existência para além da presença física. Eu não estou lá... mas a pessoa pensou em mim... já tc, se comunica comigo e já estou imediatamente junto dela. O celular virou uma extensão de mim. Não é meu aparelho que está desligado. SOU EU QUE ESTOU DESLIGADO.
Se não alguém não consegue completar a comunicação vem o Tribunal da Santa Comunicação: É MINHA CULPA: por ter desligado, por não carreguei o aparelho, por ter esquecido no silencioso, por ter recusado a chamada, por ter escolhido uma operadora que não tem maior cobertura.
O sentimento de culpa projetado para os que não estão comunicável é quase equivalente a deixar de comparecer a casa materna no dia da mãe: Porque você não quis estar presente, filho desnaturado??? É quase como você optar por não-existir. Porque você não está existindo, amigo ingrato, empregado relapso???
Você tem que está 24 horas ligado... a disposição... assim estamos sujeitos ao controle constante. Fazemos parte de UMA REDE DE CONVERSAÇÃO SIMULTÂNEA E PERMANENTE, não importa onde você esteja, o que esteja fazendo você é chamado para estabelecer contato imediato. Tô ao celular falando de outro estado, de outro país... estou me deslocando e conversando, o mundo se encolhe na comunicação entre você e eu, a noção de distâncias são alteradas.
A presença da pessoa no meu cotidiano é independente de onde ela esta. Olha que curioso... O CORPO SE LIBERTOU DO LUGAR, NÃO IMPORTA ONDE ... como é estranho simplesmente falar no celular como se a pessoa estivesse presente na rotina do dia a dia, dá uma sensação de irrealidade. Será que o sentimento de ausência e saudade vão se modificar??? CRU... CRÚ... CRÚ...
Estamos constantemente expostos a super estimulação de informações, contatos, internet, celular, ampliando a possibilidade de encontrarmos e sermos encontrados. Cadê o eu só? Pensando na vida... lendo, escrevendo. Fica cada vez mais difícil estarmos sós, com nós mesmos... avaliar a vida e como nos relacionamentos nela e com ela.
A bem aventurança da modernidade:
“Bem aventurados aqueles que vivem em reclusão, pois são de certo capazes de povoar a solidão e estar só na multidão.”
O celular se tornou uma prisão da qual não podemos nos livrar sem nos sentirmos excluidos da sociedade, poderia ser como não assistir TV ou não comer carne, mais ainda é pior, porque não assistindo TV a gente ainda tem milhoes de assuntos pra conversar, não comer carne, a gnt pode comer as outras coisas do prato e ninguem pertuba, mais não ter celular, niguém pode falar com com a gnt a hora q quer, só a gente fala com a pessoa a hora que quer, e é interpretado como se estivessemos fechados pro mundo, porque ta todo mundo aberto esperando uma ligação, ta todo mundo disponivel, só quem não tem celular está disponivel, como meu pai me disse uma vez, não é reciproco, mais nem todo mundo é obrigado a estar disponivel, e seria muito interessante se as pessoas entendessem isso, não é uma questão de solidão, é uma questao de privacidade, a gente só deixa entrar quem a gente quer. é uma especie de seleção, eu tenho celular, mais não é uma nescessidade, ele vive desligado,eu uso como se fosse um orelhão, quando eu quero falar com alguém eu ligo o celulare ligo pra pessoa, depois eu desligo, e sempre falo pras pessoas que ele vive desligado e se quiserem contato é só mandar menssagem q eu retorno. mas as pessoas se sentem frustradas mesmo assim. e quando eu não tinha, também se sentiam, hoje eu tenho emprego, e meu chefe quer que eu mantenha meu celular ligado, eu nao faço a menor questão, se acontecer algo no meu trabalho eu ligo pra ele, e se ele quizer me falar algo, nada é tão urgente que não possa esperar. certa vez li algo do tipo, ou alguém me falou: se me ligarem de madrugada pra dizer q a minha mãe morreu sendo que ela mora do outro lado do brasil, não vai adiantar de nada, eu vou passar a noite toda acordado, só vou poder comprar a passagem no dia seguinte e vou antecipar sofrimento, por isso eu desligo o celular e o telefone pra durmir, não que seja inssensibilidade da pessoa, mais eu concordo com o pensamento, de quê vai adiantar? o que ele vai poder fazer daqui? nada.
ResponderExcluirpor isso acho que não existe toda essa urgencia, e se existir, sempre existem outros seres humanos que podem ajudar as pessoas. afinal não somos nós que temos que resolver todos os problemas de todo mundo.