quinta-feira, setembro 15

A fabulosa Lady Macbeth


Abdicando da ordem de sua natureza feminina, assumi a liderança:
Lady Macbeth: (...) Vinde, espíritos que os pensamentos espirituais de morte, tirai-me o sexo, cheia me deixando, da cabeça até os pés, da mais terrível crueldade! Expressai-me todo o sangue: obstrui-os acessos de consciência, porque batida, alguma compungida da natureza sacudir não venha minha horrenda vontade, promovendo acordo entre ela e o ato (Macbeth: Ato I, Cena V).
 
Lady Macbeth:é tão forte, tão destemida... é a companheira de crime e das consequências das escolhas feitas por ela e o marido. Sofre também o sentimento de culpa e arrependimento, por vezes é representada à espreita nas sombras, como se ela fosse a pessoa por trás do crime.

Lady Macbeth: é a persuasão em pessoa. Chama o marido a dissimulação, aconselha a Macbeth a ocultar suas intenções sinistras: “Assemelhe-se à flor inocente, sob a qual se oculta a serpente” (Ato I, Cena V).

Lady Macbeth fala ao ouvido, instigando a consumação do assassinato, quando ele duvida de sua vontade em realizar. “Você deveria ser homem muito mais” (Ato I, Cena VII).

Da força vinda de Lady Macbeth, Macbeth se alimenta e espera que procrie “Dá-me só filhos homens, que a tua têmpera indomável conceba só machos” (Ato I, Cena VII).




Quais os motivos da loucura de uma mulher tão forte de espírito:

Ela mesmo não segue o seu conselho “Essas coisas não devem ser pensadas dessa maneira. E de deixar-nos loucos. ” (Ato II, Cena II).

Será que ela remoê suas ações até a insanidade? “Aqui ainda há odor de sangue. [em suas mãos] Todo o perfume da Arábia não conseguiria deixar cheirosa esta mãozinha. Oh! Oh! Oh!” (Ato V, Cena I).

Seu espirito sucumbe ao atingir o êxito, seu espírito beligerante enfraquece ao conseguir o que ambiciona. “É melhor ser aquilo que destruímos, (...) que pela destruição viver uma dúbia felicidade” (Ato III, Cena II).

Sofre com os estados de delírios de seu marido e senti-se abandonada. Em seu papel de rainha Lady Macbeth aparece desiludida, perdeu muito, inclusive a sua própria natureza, e pouco ganhou com isso. “Nada possuímos; tudo se malogra quando o nosso desejo realizado não nos dá prazer” (Ato III, Cena II).



 


Sua importância diminui e é colocada em segundo plano depois que Macbeth se torna rei. Já não pode ajudar mais o marido, deita na cama e deprime... não consegue dormir, teme a escuridão, e exigindo ter sempre luz. “Ora, estava perto dela. Tem sempre luz ao pé de si; são ordens expressas.” (Ato V, Cena I).

A agonia e o tormento que afligiam de seu espírito tem origem na anulação de sua personalidade. Lady Macbeth aceita com estoicismo seu fim, decide por suicídio. 

Ao saber de sua morte Macbeth disse:

Morta … deveria ter morrido mais tarde … o amanhã, e outro amanhã e outro amanhã se arrastam em passos curtos dia após dia até a ultima silaba da escrita do tempo, e todos os nossos ontem sinalizam aos bobos o caminho para o pó da morte apaga-te, apaga-te, pequena chama !!! a vida é apenas uma sombra que caminha. Um pobre ator que se pavoneia e treme no seu momento no palco, desaparece e não mais é ouvido. A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, significando nada” (Ato V, Cena V).

Meu... que tragédia é Macbeth. (William Shakespeare)


O cara mata o rei depois que umas bruxas dizem que ele seria rei. Para se manter no poder ele MATA TODO MUNDO... (rei, mulheres, crianças, condes). Mas, sem jamais ter paz.

Foi uma leitura de decida as estranhas humanas, com muito sangue, vísceras e chafurdamento na consciente até a loucura.
Não é uma descida interior em busca de autoconhecimento, é um engolimento do ser que se perde em si mesmo em seus desejos, em suas escolhas.

É um OROBORO que engole a sua própria cauda, voltando-se sobre si mesmo, se destrói, desaparece num nada.
Não é uma alusão ao processo dinâmico e transformador da vida. É um mergulho na miséria humana, de vilania e sombras.

Macbeth, enlouquecido, procura dar sentido as palavras ditas pelas bruxas, procura os sentidos para legítima suas AÇÕES MALIGNAS. É mais que ambição que move Macbeth: age para dar corpo e volume as predições proferidas... a crença no 'tem que acontecer' empurra  aos crimes, a concretização deságua em remorsos pelo mau causado, mas tudo se cala no  fatalismo do 'estava escrito'. Macbeth é atraído para o mal como jogador... e termina como peça enredada no jogo de intrigas. Macbeth passa de sujeito  da ação... à vítima de seus próprios atos.

Por mais que Macbeth tenha matado para ficar no poder tem uma hora que ele pede para ser vencido... derrotado e tudo acabar...
Se a verdade falaste, não me importa que comigo procedas de igual modo. De coragem revisto-me e começo a suspeitar do equívoco do diabo que mente sob a capa da verdade. (…) Se o que ele disse é certo, é indiferente fugir daqui ou combater na frente. Começo a achar a luz do sol enjoada. Ah! se este mundo se acabasse em nada!” (Ato V, Cena V)